domingo, 11 de agosto de 2013

50 First Dates - Como se fosse a primeira vez



É unânime o fato de que conquistar alguém uma única vez que seja não é tarefa fácil. Agora quanto desafiador seria ter de enfrentar essa situação e reconquistar a cada novo dia, de diversas maneiras, lutando contra todas as adversidades e persistindo apesar dos pesares? Sim, essa foi a escolha de Henry Roth, interpretado por Adam Sandler, um biólogo marinho que trabalha em um parque aquático no Havaí, que percebeu que a sua vida poderia sim mudar e não se limitar à convivência, ainda que bem saudável, entre leões marinhos, morsas e golfinhos. A escolhida é Lucy Whitman, Drew Berrymore, que sofre de uma síndrome de curta memória após um acidente de carro. Lucy acorda todos os dias sem lembrar o que houve no dia anterior, o que a condena a reviver o mesmo triste dia, inúmeras vezes. Sua memória permanente só funciona até o dia em que houve o acidente. Agora fica fácil entender porque, para Henry, fazê-la se apaixonar a cada despertar, aceitar o triste fato de sua condição e limitação é algo tão difícil. Algumas tentativas de amenizar são fazê-la elaborar a descrição de cada dia vivido em um diário e Henry cria um vídeo que exibe grandes fatos acontecidos desde que Lucy teve o problema com a memória. Aí se incluem notícias políticas, feitos esportivos e principalmente, a música que permanece diante das lembranças. Um caso em específico para The Beach Boys, “Wouldn’t it be nice”, que se mostra a verdadeira trilha sonora do casal. O que move a busca e persistência de Henry é a esperança de que, com toda a dedicação e presença na vida de Lucy, um dia ela se lembre de um detalhe mínimo sequer, revertendo de alguma forma esse seu distúrbio. É um filme que emociona de muitas formas, é divertido, interessante, mas principalmente, nos faz refletir até que ponto se deve lutar por alguém. O trabalho incessante de Henry é admirável porque é uma verdadeira raridade nos dias de hoje. A trilha sonora é um detalhe à parte, excelente. Segue a música “Forgetful Lucy”.

"How about another first kiss?"






Track Listing

1.  "Hold Me Now" - Wayne Wonder   
2.  "Love Song" - 311  
3.  "Lips Like Sugar" - Seal (featuring Mikey Dread)      
4.  "Your Love (L.O.V.E. Reggae Mix)" - Wyclef Jean (featuring Eve)      
5.  "Drive" - Ziggy Marley       
6.  "True" - Will.I.Am and Fergie        
7.  "Slave To Love" - Elan Atias         
8.  "Every Breath You Take" - UB40   
9.  "Ghost In You" - Mark McGrath    
10.  "Friday, I'm In Love" - Dryden Mitchell        
11.  "Breakfast in Bed" - Nicole Kea         
12.  "I Melt With You" - Jason Mraz        
13.  "Forgetful Lucy" - Adam Sandler       

Link para download:




"Forgetful Lucy" - Adam Sandler




"Wouldn't it be nice" - The Beach Boys


sábado, 25 de maio de 2013

O Abismo Prateado


A grande inspiração do diretor Karim Aïnouz para película O Abismo Prateado se deu pela letra  de "Olhos nos olhos", de Chico Buarque. O teor da letra, de eu lírico feminino, é extremamente tocante porque evoca várias facetas existentes do que parte de um princípio resoluto de transformações. Expõe o antes e o depois, a causa e a consequência, o ontem e o agora, o tudo e o nada, partindo de um rompimento ainda que inesperado, porém superável. O filme conta sobre a história de Julieta, uma dentista casada há 14 anos com Djalma, com quem tem um filho e vive um cotidiano em equilíbrio. Numa viagem a trabalho, o marido se despede através de um recado no celular, explicando que não mais voltaria por não haver mais amor. A partir de então, Julieta parece viver um dia insólito e ao mesmo tempo em estagnado no turbilhão de emoções que tenta controlar em vão. Do instante em que tenta entender o que se passa, ela não acredita no que está por vir, busca o reencontro, porém se depara com uma série de impedimentos. E então resta a ela andar a esmo, numa exposição quadro a quadro de uma mulher resignada, abandonada, incapaz de medir os próximos passos, em um inevitável conflito com um colapso de sensações. Ouso caracterizar o filme como silencioso, com poucos diálogos e muita ênfase em cada milimétrico detalhe em suas personagens. O olhar, o respirar, o andar pelas ruas do Rio, a espera no sinal, o reflexo no espelho, as cicatrizes de uma ferida que não reluz no espelho e sim na alma são quadros que se movem em câmera lenta. Interessante o esforço para entender o porquê disso. Por que as palavras determinam ou delimitam tanto uma personagem? Em boa parte do filme, o discurso não se faz por meio de palavras para que nós possamos experimentar essa tempestade de percepções de cada ato exposto. Essa é a ideia. Preencher esses seres com monólogos ou diálogos limitaria em muito consentir diretamente o que passam. O expectador talvez não perderia tempo algum imaginando como Violeta se sente em determinado momento do filme e é essa a maior riqueza a qual pude apreender nessa obra. Às vezes, as palavras são plenamente desnecessárias, desprezíveis, enfim, dispensáveis. O momento em que a música de Chico é cantada é um marco, pois sopra ventos de bonança e prova que muito se pode ir além do que se pensa em chegar. Vale a pena conferir!

Olhos nos olhos

Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.














terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intocáveis - Intouchables

Intocáveis (Intouchables), de 2011, obteve a extasiante segunda maior bilheteria da história do cinema francês, em torno de 20 milhões. Dirigido pelos diretores Olivier Nakache e Éric Toledano, o filme foi inspiração de um fato real, narrado em O Segundo Suspiro (Le second Souffle), publicado em 2001. Um livro de memórias de Philippe Pozzo Di Borgo, ex-diretor da empresa de champanhe Pommery, herdeiro de uma família aristocrática francesa, após o acidente de parapente que o deixou tetraplégico e a relação com Abdel Sellou, um ex-presidiário argelino que se tornou seu acompanhante, desde então.
Nessa obra cinematográfica, toca-se em seres tanto extremos quanto enriquecedores. Mas a sensibilidade aqui se torna um instrumento de partida e não de chegada. Philippe, milionário e colecionador de arte (François Cluzer), engaja-se na busca de um empregado que o auxiliasse nos afazeres diários, já que se encontra imobilizado do pescoço aos pés e tarefas simples como atender ao telefone o torna extremamente dependente de outrem. Encontra em Driss (Omar Sy), um forte candidato e estipula o prazo de um mês de experiência, embora afirmando que o mesmo não tem plenas condições de perdurar nem por duas longas semanas. A razão da escolha pode ser um conjunto de atributos, um deles seria o próprio desinteresse pela vaga. Driss, recém-saído da prisão, só precisa de uma assinatura que comprove a ida à entrevista de emprego para que assim receba o auxílio financeiro cedido pelo Estado a indivíduos na mesma situação. Driss representa aqueles que vêm das banlieues, os subúrbios racialmente abstraídos de grandes cidades, como Paris. A magistral atuação desses dois atores, além de ter rendido a Sy um prêmio César, primeiro ator negro a conseguir tal feito, também põe em voga a tensão racial vivida na Europa, onde há segregação social entre brancos e descendentes de imigrantes procedentes de ex-colônias. A previsível ausência de piedade é o que estreita essa relação, onde Driss sempre esquece e persiste em entregar o telefone celular a Philippe quando toca. Um ato simples que diz tudo. Há incompletude nessas vidas e Philippe tenta a contemplar através da arte, da boa música, clássica, diga-se de passagem, e não hesita em apresentar esse olhar ao companheiro. Numa exposição de arte, Philippe fica pouco mais de duas horas contemplando uma obra que figurava o respingo de sangue num background branco. Driss não entende o porquê daquilo e ainda assim quando se paga mais de quarenta mil euros para exibir a obra em casa. Há constante troca entre esses dois seres únicos os quais convivem em plena harmonia, ao ar livre e até em saltos de parapente. Naquele momento, os extremos não enxergavam distinção social, cultural e muito menos financeira. A completude nessa relação belíssima se dá pelo valor e respeito ao outro, uma amizade que nada tem de improvável e sim do que é simples e verdadeiro. Seguem o trailler e a música Feeling Good, da grande Nina Simone.









domingo, 2 de setembro de 2012

Inverno da Alma



Desde a première do filme, no festival de Sundance em 2010, a jovem atriz Jennifer Lawrence vem colecionando prêmios e indicações. Aos 18, ganhou o troféu Marcello Mastroianni, no Festival de Veneza, por sua performance em “Vidas que se cruzam”. Resultados esperados depois do belíssimo trabalho por ela concebido em Inverno da Alma, dirigido por Debra Granik. Jennifer é Ree Dolly, uma garota que aos 17 em nada aparenta ingenuidade ou fragilidade. Filha de Jessup, um foragido fabricante de drogas caseiras, deixa como herança, após semanas desaparecido, o triste fardo de sustentar duas crianças e uma mãe inválida. A batalha começa quando a casa é tida como fiança, no caso de Jessup não aparecer. Indispensável mencionar que o próprio concedeu a proposta à polícia. A região montanhosa de Ozark, sudoeste de Missouri evoca toda uma atmosfera sombria e árdua diante da busca de Ree por uma cinza, um resquício sequer do próprio pai, para que conserve o abrigo familiar aos entes que com tanta maestria e afetuosidade zela.  Ela não hesita em cogitar se alistar no exército no intuito de trazer alguma estabilidade à família, porém, infortunadamente, não é concretizado, já que os pais devem estar presentes no momento do alistamento, por ela ser menor de idade. O desespero é iminente quando uma semana antecede a prova de que Ree precisa para apresentar à polícia e manter-se na casa. A incessante busca é uma verdadeira luta pela sobrevivência em nome do amor à família. 






terça-feira, 17 de julho de 2012

Os nomes do amor - Le Nom des gens

Assisti recentemente ao filme francês do diretor Michel Leclerc e acredito que as vidas de Bahia Benmahmoud, filha de um argelino e de uma ex-hippie, e Arthur Martin, um discretíssimo veterinário, filho de uma órfã e de um engenheiro nuclear, convergem-se ainda mais quando tantas divergências vêm à tona. "Os nomes do Amor" é uma clara apologia à identidade, à memória, à política, ainda que esquerdista, ao altruísmo direcionado aos imigrantes e aos sem pátria, à excentricidade de ambos que se transforma em generosidade. Bahia é um típico ser que mistura a simpatia esquerdista personificada e o espírito libertário dos ano 60. Acredita que “todos os caras da direita são fascistas” e encara uma distinta tática para convertê-los: leva-os para a cama. E ainda conserva, como um verdadeiro troféu, uma espécie de Scrapbook dos ex-conservadores que viraram esquerdistas, resultados de suas investidas sexuais. Ela não hesita em se casar com um quase desconhecido imigrante para que ele adquira cidadania francesa. Bahia acaba trajando o estereótipo “maluquinha” quando interrompe uma entrevista na rádio francesa em que Arthur Martin tenta persuadir os ouvintes sobre os riscos e prevenções a serem tomados sobre a gripe aviária. Esse encontro gera uma série de sensações e desencontros, mas todos com um caminho distinto e reto, a busca pela identidade, pelo amor. Durante toda a trama, os personagens Bahia e Arthur são requisitados por seus ancestrais, no caso de Arthur, ele conversa com ele mesmo, aos 16 anos, em situações que requerem reflexão ou nas quais ele não tem certeza de como proceder, numa espécie de consulta. Um dos momentos mais tensos é quando a mãe de Arthur perde seus documentos e ela, criada num orfanato traumatizada pela perda de seus pais tão imatura, não consegue provar sua cidadania francesa. As verdadeiras origens de sua família recaem da esfera do esquecimento e ganham vida. É um filme incrível que descreve as relações tempestuosas que a vida nos presenteia e das quais não nos convêm fugir com um toque de humor e contemporaneidade. Gostei!















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