domingo, 30 de março de 2014

MAD MEN - OST



Com um lema inusitado, “Não importa o que você é ou o que quer, mas sim como você se vende”, Mad Men é digna de uma exceção diante da temática do blog. Com produção e criação de Matthew Weiner, a série que caminha para a sua 7ª temporada, tem sido elogiada por sua qualidade em autenticidade histórica no auge dos anos 60. Direção, produção, figurino, estilo e roteiro reconhecidos em prêmios já conquistados.
Boa parte da série é ambientada na Sterling Cooper, uma grande agência de publicidade de New York. A trama principal é focada na vida profissional e pessoal dos personagens que ali se estabelecem.  A árdua competição entre gêneros, a arte da persuasão põe vidas pessoais à venda, à luz das mudanças sociais ocorridas nos Estados Unidos naquela época.
Na verdade, não me atenho a acompanhar séries com frequência. De fato, admito que foram as escolhas musicais da trilha sonora que realmente me chamaram atenção para a série. E que escolhas! Apesar de o produtor da série não estabelecer nenhuma relação lógica entre essas escolhas, ele afirma que " As músicas resultam de uma resposta emocional. Não há regras para que sejam escolhidas nem o período em que surgiram se leva em consideração". Um tanto curioso! Assim, não hesitei em fazer essa busca grandiosa! 
Valeu a pena! ;)


A Beautiful Mine (Instrumental)
RJD2 · Magnificent City Intrumental




                                                       
 Summer Place
Percy Faith · 16 Most Requested Songs



   

       Autumn Leaves
Cannonball Adderley · The Anthology




                                                                              
Babylon 
Don McLean · American Pie






Band Of Gold
Don Cherry · Band Of Gold / Thinking Of You





Bell Bottom Blues (Live Album Version)
Eric Clapton · 24 Nights





Blue In Green
Miles Davis · Kind Of Blue (Extended Version)





Bonnie And Clyde
Serge Gainsbourg · Comic Strip








Botch-A-Me (Ba-Ba-Baciami Piccina)

Rosemary Clooney · 16 Biggest Hits





Both Sides Now
Judy Collins · Wildflowers





Break It To Me Gently
Brenda Lee · 20th Century Masters - The Millennium Collection: The Best Of Brenda Lee




Butchie's Tune
The Lovin' Spoonful · Daydream





Bye Bye Birdie (From The Columbia Pictures Production "Bye Bye Birdie"
Ann-Margret · Let Me Entertain You




Caravan
Gordon Jenkins · Caravan (Digital 45)





Choo Choo Cha Cha
Rinky Dinks · Ultra-Lounge, Vol.9: Cha-Cha De Amor







Come On Twist

Jody Reynolds · The Legendary Jody Reynolds: Endless...







Concierto De Aranjuez (Adagio)

Miles Davis · Sketches Of Spain









Congratulations Honey

Baby Washington & the Plants · Mad Men - Music From The Series Vol. 2





Cup Of Loneliness

George Jones · The Definitive Collection (1955-1962)





Darling Say You Love Me
The Ramblers · Instrumentals





Don't Smoke In Bed
Nina Simone · The Nina Simone Story





Don't Think Twice, It's All Right
Bob Dylan · The Freewheelin' Bob Dylan (2010 Mono Version)




Driving Instructor
Bob Newhart · Something Like This...The Bob Newhart Anthology




Early In The Morning
Peter, Paul & Mary · The Very Best of Peter, Paul & Mary (Remastered)




Fly Me To The Moon (In Other Words)
Julie London · The Very Best Of Julie London





Found Love
The Fly Bi Nights · Cult Hits Of The 1960's, Vol. 1





Friends I Haven't Met Yet
Blue Sandelwood Soap · Friendship Popsongs Vol. 3





Get Back To The Westside
The Steam Machine · Cult Hits Of The 1960's, Vol. 2





Going Out Of My Head
Sergio Mendes & Brasil '66 · Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil '66




Gopher Mambo
Yma Sumac · Ultra-Lounge, Vol.9: Cha-Cha De Amor





Harper Valley Pta

Jeannie C. Riley · Jeannie C. Riley Selected Hits

Hawaiian Wedding Song

Elvis Presley · Love, Elvis





He Hit Me (It Felt Like A Kiss)
The Crystals · He's A Rebel





I Can Dream, Can't I?
The Andrews Sisters · Hit Parade Platinum Collection The Andrew Sisters




If You Could See Me Now
Wes Montgomery, Wynton Kelly Trio · Movin’: The Complete Verve Recordings




I Just Wasn't Made For These Times (Stereo)
The Beach Boys · Pet Sounds





I'm In Love
The Pentagons · Doo Wop Madness





I'm Through With Love
Marilyn Monroe · Anthology





Just A Gigolo
Bing Crosby · Just A Gigolo (Early Recordings Vol. 6)





Lollipops And Roses
Jack Jones · Greatest Hits




Love Is Blue
Paul Mauriat · Love Is Blue The Very Best Of Paul Mauriat




Manhattan
Ella Fitzgerald · Ella Fitzgerald Sings The Rodgers And Hart Songbook




Maria Christina
Los Lobos · Good Morning Aztlán





Memories Of You
Ben Webster · The Commodore Story (US Release)





My Special Angel
Bobby Helms · The Best Of Bobby Helms





Night And Day
Luiz Bonfá · Solo In Rio 1959





On The Street Where You Live
Vic Damone · 16 Most Requested Songs





Piece Of My Heart
Big Brother & The Holding Company · The Ultimate Collection




Porpoise Song (Theme From 'Head')
The Monkees · The Best Of The Monkees




Pot Can't Talk About The Kettle
Helene Smith · Mad Men - Music From The Series Vol. 2





P.S. I Love You
Bobby Vinton · Mad Men: Music From The Television Series




Reach Out Of The Darkness
Friend And Lover · Lost Oldies But Goodies





Sadko: Song Of India -
The Rimsky-Korsakov Quartet · Prima Voce Sampler





Shahdaroba
Roy Orbison · The Soul Of Rock And Roll





Shangri-La
Robert Maxwell · Mad Men: Music From The Television Series




Sixteen Tons
Tennessee Ernie Ford · Sixteen Tons




Sock It To Me, Baby!
Mitch Ryder & The Detroit Wheels · Rhino Hi-Five: Mitch Ryder & The Detroit Wheels




Song To Woody (2010 Mono Version)
Bob Dylan · Bob Dylan (2010 Mono Version)




Stranger On The Shore
Acker Bilk · Stranger On The Shore




Suavecito
Malo · Celebracion: The Warner Bros. Recordings




Sweepin' The Clouds Away
Maurice Chevalier · Gentleman Chevalier




Swingin' Saints
The Gigalo's · Amazing Hits Of The Transistor Era Vol. 1



Telstar
The Tornados · #1 Chart Toppers Of The '50s, '60s & '70s




The Christmas Waltz
Doris Day · The Doris Day Christmas Album





(There's) Always Something There To Remind Me
Lou Johnson · Soul Legend





Great Divide
The Cardigans - First Band on the moon






There Will Never Be Another You
Bud Powell · Live At The Blue Note Café, Paris 1961




The Twist (Original Hit Recordings)
Chubby Checker · The Best Of Chubby Checker: Cameo Parkway 1959-1963




To Be Loved
The Pentagons · Doo Wop, Rhythm & Blues & Novelties: Treasures Of The 50's & 60's




Tomorrow Never Knows
The Beatles · Revolver




Tropicando
Les Baxter & 101 Strings Orchestra · Lounge Music Deluxe: 101 Strings




Volare
The McGuire Sisters · The Anthology




What'll I Do
Johnny Mathis · Johnny Mathis: A 50th Anniversary Celebration




What's Happening
Phil & The Frantics · Amazing Hits Of The Transistor Era Vol. 2




Words Of Love
The Mamas & The Papas · California Dreamin'




You
The Aquatones · Doo Wop Moments: The Ballads




You Don't Have To Say You Love Me
Dusty Springfield · Gold




You Really Got Me (Mono)
The Kinks · Kinks (Deluxe Edition)




Zou Bisou Bisou
Gillian Hills · Twistin' The Rock, Vol.9











*TOP 10 - MAD MEN OST


1 - Blue in Green - Miles Davis


2 - Autumn Leaves - Cannonball Adderley 


3 - Found Love - The Fly Bi Nights


4 - Tomorrow never knows  - The Beatles


5- Piece of my heart - Janis Joplin



6 - Porpoise Song - The Monkees



7 - You - The Aquatones


8 - Bell Bottom Blues - Eric Clapton


9 - Great Divide - The Cardigans


10 - Don't Smoke in bed - Nina Simone




sábado, 22 de fevereiro de 2014

HER



Dirigido pelo aclamado Spike Jonze, reconhecido pelos trabalhos em início de carreira dedicados a documentários e clipes musicais, "Her" é um retrato em sépia de como nossos passos se sincronizam com o caminho que a tecnologia nos envolve, num futuro remoto. O filme já foi contemplado com um Globo de Ouro na categoria de melhor roteiro e também concorre em cinco categorias na corrida ao Oscar 2014: melhor filme, roteiro original, canção original, trilha sonora e design de produção. 
Em trabalhos anteriores, como "Quero ser John Malkovich", "Adaptação" e "Onde vivem os monstros", Spike Jonze não hesita em criar personagens que de alguma forma não se sentem satisfeitos com o mundo real em que vivem e, literalmente, imergem em um mundo único e pessoal, em busca de uma paz inexistente até então, a paz interior. Em Her, não é diferente. 
Theodore Towmbly (Joaquin Phoenix), de uma sensibilidade tocante, trabalha em uma empresa como escritor de cartas pessoais. Recentemente, divorciado, ainda tenta se adaptar a uma vida cuja melancolia se apresenta principalmente no seu cotidiano: uma simples carta, um papel, uma mensagem a ser decodificada, um sentimento, uma saudade ou mesmo um rancor que, por alguma razão, necessitam ser manuseados pela criatividade e sensibilidade de Theodore. Nesse misto de histórias e sentimentos, vive um homem solitário que vê na compra de um novo sistema operacional uma nova forma de interação. Com a voz de Scarlett Johansson, Samantha se apresenta a Theodore como um OS, um sistema operacional mais que completo: checa seus e-mails, ligações, gerencia seus compromissos, tira dúvidas, inclusive ortográficas, ao mesmo tempo em que faz companhia a ele nas horas oportunas. Samantha interage com Theodore através da voz, em um sistema integrado entre um ear plug e um celular moderno. O vínculo criado a partir daí só se intensifica de maneira natural e espontânea com o decorrer da história que, inclusive se concretiza em um relacionamento. 
Em Samantha, Theodore encontra  a sincronia que necessita e se encanta ao descobrir que é possível haver reciprocidade nessa relação. E como de todo relacionamento, vivem-se inconstâncias, instabilidades e desencontros durante toda a caminhada. O OS, Samantha, representa a voz que humaniza todo esse sistema de interação moderno, completamente instaurado em nossos dias.
Num mundo paradoxal, onde a comunicação deve ser, supostamente, mais que eficiente, o empecilho aqui é superado por um objetivo válido: a tecnologia intercede num processo mútuo, onde um homem precisa se apaixonar por uma máquina para descobrir a si próprio, para depara-se com o humanismo que existe dentro de si mesmo. Em vários aspectos, Her é um filme que toca profundamente,  pois também comprova a legitimidade do passado que, para sempre existirá, e evidencia os inevitáveis recomeços que devemos traçar. Seguem a Soundtrack list e um TOP 10 de clipes do Spike Jonze.

Soundtrack List

1 - Off You - the Breeders
2 - When you know you're gonna die - Arcade Fire
3 - Alien Child  - Will Collins
4- Supersymmetry - Arcade Fire
5- Cleopatra in New York - Nickodemus
6 - Magnesium - N.A.S.A.
7 - I'm so Glad - Entrance
8 - The Moon Song - Karen O e Spike Jonze
9 - Racing Turtles - Barrie Gledden, Tim Reilly, Jason Pedder
10 - 8 Bit Disc Nº 3 - Philip Guyler
11 - Need your love so bad - Little Willie John
12 - Sure of Love - The Chantels
13 - Dimensions - Arcade Fire
14 - The Moon Song - Karen O e Spike Jonze














Spike Jonze - 10 Clipes para conhecer!

1 - "It's Oh so quiet" - Bjork





2 - "100%"  - Sonic Youth



3 - "Buddy Holly" - Weezer




4 - "Sabotage" - Beastie Boys





5 - "Cannonball"- The Breeders







6 - "Praise you" - Fatboy Slim





7 - "Da Funk" - Daft Punk






8 - "Elektrobank" - The Chemical Brothers






9 - "Human Behavior" - Bjork






10 - "The Suburbs" - Arcade Fire





domingo, 8 de dezembro de 2013

Poulet aux prunes - Frango com Ameixas


Com um título que mais evoca uma viagem sinestésica, Frango com ameixas, Poulet aux prunes (2011), representa uma jornada que vai muito além dos limites culinários, se é que existem.

A história se passa no fim dos anos 50, em Teerã. O violinista Nasser-Ali, majestosamente protagonizado por Mathieu Amalric, um homem de tanto austero, porém deprimido e inconsequente, está determinado a cometer suicídio após uma árdua discussão com sua esposa que acaba por destruir seu violino. Desde então, sucedem-se os dias que antecederão esse triste fim, com flashbacks e flashforwards do que uma vez foi e do que ainda será sua vida. A profundidade de sua escolha é justificada pelo tom melancólico com que  sua história é rememorada, com um roteiro marcado por uma viagem capitular e fragmentada em que as lacunas do tempo nos fazem compreender o motivo real da angústia de Nasser-Ali. 

Enquanto espera pela visita do anjo da morte, Azrael, o violinista se perde em sonhos e delírios diante de uma decisão tão dramática. A rejeitada esposa, Faranguisse, endurecida pela rotina de viver à sombra do amor perdido de Ali, vê, arrependida, o amado definhar com o passar dos dias. Ela ainda nutre a esperança de que ele reverta a tal decisão fazendo-o degustar seu prato favorito, frango com ameixas. Embora o tema tão dramático não atraia tanta atenção à princípio, o que o torna de fato interessante é a forma com que os caminhos são abordados. Humor, fábula, romance ocultam esse drama fatalista através de um trajeto visual que envolve cenas, sombras e contrastes que em muito se assemelham aos quadrinhos. Muito menos provável que o início e o fim dessa história, é a grandiosa lacuna que há entre eles.

Para Nasser-Ali, a arte é o que o define, é uma escolha. Num de seus flashes, o passado amargo relembra quando, ao pedir em casamento a amada Irâne, se sentiu desfavorecido diante de sua realidade. O pai de Irâne, um homem de negócios, foi resoluto quanto à insegurança financeira do violinista e o futuro de sua filha, não pensou duas vezes em proibir tal proposta, ordenando-o a desaparecer da vida de Irâne. Nesse ponto, Nasser-Ali tenta buscar consolo em seu mestre de violino que se utiliza de uma das metáforas mais bem empregadas na história: "A vida é um sopro. E é nesse suspiro que você deve se agarrar!".

Diante de valores tão falhos nos dias de hoje, é esse sopro que nos ronda a todo instante e muitos mal se dão conta de que ele existe. Talvez, Nasser-Ali tenha de fato conquistado seu suspiro com a arte, com a música ou em parte com Irâne. Mas quanto dura um suspiro? Até que ponto ele se sustenta? Façamos de nossos dias uma busca que não clame por brevidade, ainda que depois de tantas quedas intempestivas. Que a renúncia não seja uma resposta à vida! 
Como o cinema francês é atual e inspirador!




A seguir a trilha sonora assinada por Olivier Bernet:



1 - Main Title
2 - Haushang
3 - Nasser's day
4 - Suicides
5 - My Little House
6 - Lili
7 - Abdi
8 - Sophia Loren
9 - Faranguise
10 - Nasser's Youth
11 - The Secret
12 - Signs
13- Parvine
14 - Prayer
15 - Meeting Azrael
16 - Mister Ashour
17 - Lovers 
18 - The Rain
19 - Final 
20 - Irane


























domingo, 11 de agosto de 2013

50 First Dates - Como se fosse a primeira vez



É unânime o fato de que conquistar alguém uma única vez que seja não é tarefa fácil. Agora quanto desafiador seria ter de enfrentar essa situação e reconquistar a cada novo dia, de diversas maneiras, lutando contra todas as adversidades e persistindo apesar dos pesares? Sim, essa foi a escolha de Henry Roth, interpretado por Adam Sandler, um biólogo marinho que trabalha em um parque aquático no Havaí, que percebeu que a sua vida poderia sim mudar e não se limitar à convivência, ainda que bem saudável, entre leões marinhos, morsas e golfinhos. A escolhida é Lucy Whitman, Drew Berrymore, que sofre de uma síndrome de curta memória após um acidente de carro. Lucy acorda todos os dias sem lembrar o que houve no dia anterior, o que a condena a reviver o mesmo triste dia, inúmeras vezes. Sua memória permanente só funciona até o dia em que houve o acidente. Agora fica fácil entender porque, para Henry, fazê-la se apaixonar a cada despertar, aceitar o triste fato de sua condição e limitação é algo tão difícil. Algumas tentativas de amenizar são fazê-la elaborar a descrição de cada dia vivido em um diário e Henry cria um vídeo que exibe grandes fatos acontecidos desde que Lucy teve o problema com a memória. Aí se incluem notícias políticas, feitos esportivos e principalmente, a música que permanece diante das lembranças. Um caso em específico para The Beach Boys, “Wouldn’t it be nice”, que se mostra a verdadeira trilha sonora do casal. O que move a busca e persistência de Henry é a esperança de que, com toda a dedicação e presença na vida de Lucy, um dia ela se lembre de um detalhe mínimo sequer, revertendo de alguma forma esse seu distúrbio. É um filme que emociona de muitas formas, é divertido, interessante, mas principalmente, nos faz refletir até que ponto se deve lutar por alguém. O trabalho incessante de Henry é admirável porque é uma verdadeira raridade nos dias de hoje. A trilha sonora é um detalhe à parte, excelente. Segue a música “Forgetful Lucy”.

"How about another first kiss?"






Track Listing

1.  "Hold Me Now" - Wayne Wonder   
2.  "Love Song" - 311  
3.  "Lips Like Sugar" - Seal (featuring Mikey Dread)      
4.  "Your Love (L.O.V.E. Reggae Mix)" - Wyclef Jean (featuring Eve)      
5.  "Drive" - Ziggy Marley       
6.  "True" - Will.I.Am and Fergie        
7.  "Slave To Love" - Elan Atias         
8.  "Every Breath You Take" - UB40   
9.  "Ghost In You" - Mark McGrath    
10.  "Friday, I'm In Love" - Dryden Mitchell        
11.  "Breakfast in Bed" - Nicole Kea         
12.  "I Melt With You" - Jason Mraz        
13.  "Forgetful Lucy" - Adam Sandler       

Link para download:




"Forgetful Lucy" - Adam Sandler




"Wouldn't it be nice" - The Beach Boys


sábado, 25 de maio de 2013

O Abismo Prateado


A grande inspiração do diretor Karim Aïnouz para película O Abismo Prateado se deu pela letra  de "Olhos nos olhos", de Chico Buarque. O teor da letra, de eu lírico feminino, é extremamente tocante porque evoca várias facetas existentes do que parte de um princípio resoluto de transformações. Expõe o antes e o depois, a causa e a consequência, o ontem e o agora, o tudo e o nada, partindo de um rompimento ainda que inesperado, porém superável. O filme conta sobre a história de Julieta, uma dentista casada há 14 anos com Djalma, com quem tem um filho e vive um cotidiano em equilíbrio. Numa viagem a trabalho, o marido se despede através de um recado no celular, explicando que não mais voltaria por não haver mais amor. A partir de então, Julieta parece viver um dia insólito e ao mesmo tempo em estagnado no turbilhão de emoções que tenta controlar em vão. Do instante em que tenta entender o que se passa, ela não acredita no que está por vir, busca o reencontro, porém se depara com uma série de impedimentos. E então resta a ela andar a esmo, numa exposição quadro a quadro de uma mulher resignada, abandonada, incapaz de medir os próximos passos, em um inevitável conflito com um colapso de sensações. Ouso caracterizar o filme como silencioso, com poucos diálogos e muita ênfase em cada milimétrico detalhe em suas personagens. O olhar, o respirar, o andar pelas ruas do Rio, a espera no sinal, o reflexo no espelho, as cicatrizes de uma ferida que não reluz no espelho e sim na alma são quadros que se movem em câmera lenta. Interessante o esforço para entender o porquê disso. Por que as palavras determinam ou delimitam tanto uma personagem? Em boa parte do filme, o discurso não se faz por meio de palavras para que nós possamos experimentar essa tempestade de percepções de cada ato exposto. Essa é a ideia. Preencher esses seres com monólogos ou diálogos limitaria em muito consentir diretamente o que passam. O expectador talvez não perderia tempo algum imaginando como Violeta se sente em determinado momento do filme e é essa a maior riqueza a qual pude apreender nessa obra. Às vezes, as palavras são plenamente desnecessárias, desprezíveis, enfim, dispensáveis. O momento em que a música de Chico é cantada é um marco, pois sopra ventos de bonança e prova que muito se pode ir além do que se pensa em chegar. Vale a pena conferir!

Olhos nos olhos

Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.














terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intocáveis - Intouchables

Intocáveis (Intouchables), de 2011, obteve a extasiante segunda maior bilheteria da história do cinema francês, em torno de 20 milhões. Dirigido pelos diretores Olivier Nakache e Éric Toledano, o filme foi inspiração de um fato real, narrado em O Segundo Suspiro (Le second Souffle), publicado em 2001. Um livro de memórias de Philippe Pozzo Di Borgo, ex-diretor da empresa de champanhe Pommery, herdeiro de uma família aristocrática francesa, após o acidente de parapente que o deixou tetraplégico e a relação com Abdel Sellou, um ex-presidiário argelino que se tornou seu acompanhante, desde então.
Nessa obra cinematográfica, toca-se em seres tanto extremos quanto enriquecedores. Mas a sensibilidade aqui se torna um instrumento de partida e não de chegada. Philippe, milionário e colecionador de arte (François Cluzer), engaja-se na busca de um empregado que o auxiliasse nos afazeres diários, já que se encontra imobilizado do pescoço aos pés e tarefas simples como atender ao telefone o torna extremamente dependente de outrem. Encontra em Driss (Omar Sy), um forte candidato e estipula o prazo de um mês de experiência, embora afirmando que o mesmo não tem plenas condições de perdurar nem por duas longas semanas. A razão da escolha pode ser um conjunto de atributos, um deles seria o próprio desinteresse pela vaga. Driss, recém-saído da prisão, só precisa de uma assinatura que comprove a ida à entrevista de emprego para que assim receba o auxílio financeiro cedido pelo Estado a indivíduos na mesma situação. Driss representa aqueles que vêm das banlieues, os subúrbios racialmente abstraídos de grandes cidades, como Paris. A magistral atuação desses dois atores, além de ter rendido a Sy um prêmio César, primeiro ator negro a conseguir tal feito, também põe em voga a tensão racial vivida na Europa, onde há segregação social entre brancos e descendentes de imigrantes procedentes de ex-colônias. A previsível ausência de piedade é o que estreita essa relação, onde Driss sempre esquece e persiste em entregar o telefone celular a Philippe quando toca. Um ato simples que diz tudo. Há incompletude nessas vidas e Philippe tenta a contemplar através da arte, da boa música, clássica, diga-se de passagem, e não hesita em apresentar esse olhar ao companheiro. Numa exposição de arte, Philippe fica pouco mais de duas horas contemplando uma obra que figurava o respingo de sangue num background branco. Driss não entende o porquê daquilo e ainda assim quando se paga mais de quarenta mil euros para exibir a obra em casa. Há constante troca entre esses dois seres únicos os quais convivem em plena harmonia, ao ar livre e até em saltos de parapente. Naquele momento, os extremos não enxergavam distinção social, cultural e muito menos financeira. A completude nessa relação belíssima se dá pelo valor e respeito ao outro, uma amizade que nada tem de improvável e sim do que é simples e verdadeiro. Seguem o trailler e a música Feeling Good, da grande Nina Simone.









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